
Sou como Dostoievski: me atiro aos espinhos da vida. E sangro. Não tenho medo do sangue, tenho é medo de não poder sentir a dor e o êxtase. Sempre desprezei tudo o que é morno. Água até o joelho, um livro mais ou menos, um filme que tanto faz, um amor que não desperta náuseas e paixão. De que me vale isso? Nada de água até o joelho; ou mergulho nas profundezas, ou não me dou ao trabalho de me molhar. O que não mexe comigo não merece fazer parte da minha biografia. Quero a glória de cair se puder, por um instante, tocar as estrelas. O tombo não me apavora, porque mesmo ele faz parte...
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